Resenha: As vantagens de ser invisível


Título: As vantagens de ser invisível (The perks of being a wallflower)
Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Onde comprar: lojas americanas -- submarino -- saraiva
Nota: 3/5 

Ao mesmo tempo engraçado e atordoante,  As vantagens de ser invisível reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e entusiasmo a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse valvém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário. Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.
A história se passa em 1992. Uma época de fitas, máquinas de escrever e Beatles. Charlie é um tímido adolescente de 15 anos que nunca teve muitas amizades, nunca teve companhia ou alguém que sentasse e escutasse seus medos, suas dúvidas e pensamentos. Seu único e melhor amigo cometeu suicídio, sua tia preferida morreu, sua irmã apanhava do namorado e os pais o tratavam como uma bolha de sabão, que a qualquer momento pudesse estourar.


O que lhe restava eram papel e caneta. Então ele escrevia cartas sobre seu cotidiano, o mundo aos olhos dele. Não se sabe quem é o destinatário dessas cartas, seu nome ou endereço, e o destinatário também não sabe quem as escreve. Mas a partir delas, vemos como a vida de Charlie vai mudando e alguns fatos vão ficando mais claros. Ele conhece Sam e Patrick e constroem uma linda amizade, baseada em muitas aventuras. Eles apresentam outra realidade à Charlie. O primeiro beijo, o amor, as bebidas, festas, conflitos escolares - um mundo que ele não tinha antes.



Ele constrói também uma relação com seu professor de literatura, Bill, que sempre lhe dava grossos livros para ler e pedia que escrevesse sobre eles, por acreditar que o aluno possuía um dom que os outros não tinham. Um potencial.


O livro basicamente conta o dia-a-dia de Charlie. Acompanhamos de perto o amadurecimento dele, suas descobertas, perdas, cada erro e acerto. E vemos isso não como leitores, mas como se fôssemos amigos dele. Seus confidentes, o destinatário de cada carta.
O protagonista tem um jeito único de enxergar as coisas à sua volta. Ele encara as situações com muita ingenuidade, e o modo como a maioria das pessoas o vê é revoltante. Porque todos só vêem um garoto esquisito, mas ninguém sabe o quanto ele sofreu na infância. Só se importavam em apontar o dedo e manter distância. E o que assusta pensar é que realmente, a sociedade é assim.

Então, eu acho que somos o que somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo assim temos o poder de escolher onde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer as coisas. E ainda podemos tentar ficar bem com elas.
Porque não há problema em sentir as coisas. E ser quem você é. 


As vantagens de ser invisível é com certeza um livro triste. O personagem carrega na bagagem um passado difícil, mas é impossível não ficar alegre com cada risada que ele dá, em cada vez que ele escuta uma música e gosta muito dela, e em cada vez que se esqueceu do mundo ao seu redor e se sentiu infinito.

Sam batucava com as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou eu disse uma coisa. "Eu me sinto infinito."
Moleskine Book Journal <3 Depois tiro mais fotos dele e mostro para vocês.

Quanto à edição, eu geralmente não gosto muito de capas com a foto dos atores, mas dessa vez eu gostei muito. A diagramação está ótima e sem erros de grafia.
Ah, outra coisa.
Tanto no livro quanto no filme, há várias referências musicais, e fiz o rascunho da resenha ouvindo a ótima trilha sonora. Por isso, escolhi as duas canções que mais gostei e vou deixar aqui embaixo para vocês escutarem.

Bjs!


















Tecnologia do Blogger.